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Meia noite em Paris de roller

8 de julho de 2016

Há alguns anos, quando a TV a cabo tinha apenas um ou dois canais de viagem eu vi um programa que mostrava lugares e atrações incomuns que você deveria fazer quando visitasse Paris.

Eu, naquela época, sonhava com a cidade Luz sem ao menos ter ideia de como chegar lá. Anotei em um pedaço de papel, colei no meu diário e prometi a mim mesma que um dia o faria.

Um dos pontos era: andar de patins pela cidade na sexta-feira de noite. Com essa informação, em 2012 eu cumpri a meta!!

É mágico, é inesperado, é encantador, é cansativo, é compensador é tudo nessa vida que você pode imaginar!

Mas e aí, como eu cheguei lá?

Como dissera, só tinha essa informação: patins paris sexta-feira de noite. Fucei a internet e achei o grupo responsável, horários e todo o roteiro que eu deveria seguir.

O site do Paris Roler (ou se quiser o facebook) possui todas as infos necessárias: que dia terá a próxima randonnée, de onde parte, qual a previsão do tempo, e o principal, o mapa do percurso.

As randonnées podem ser canceladas durante a semana de acordo com a météo. À Paris elle est foulle! As coisas podem mudar de um dia pro outro, portanto fique atento!

E como fiz com meus patins? Na minha mala tinha espaço suficiente para levar os meus (sim eu sou econômica! Kkkk), mas como eu iria para um congresso e ia passar por outras cidades carregando a mala pra cima e pra baixo resolvi não levar. Dei um google para achar uma loja para alugar e também perguntei para o recepcionista do hotel se ele conhecia o local indicado pelo site de pesquisa. E então cheguei nesta loja aqui super fácil de achar. É localizada perto da Place de la Bastille e próximo da estação Bastille (pegar saída em direção ao Blvr. Bourdon). Alí mesmo você pode experimentar se está tudo certo andando pelo Boulevard Bourdon.

Indico fortemente saber com antecedência seu número de patins europeu e americano (Caso não saiba Clique Aqui), para ter a certeza de que não vai pegar um par apertado (gente, meio número faz muita diferença! Digo por experiência rsrs), além de locar os aparatos de segurança (casque = capacete ; protections = joelheiras e seus relativos). É fundamental se proteger, você não vai querer ativar seu seguro viagem e descobrir que ele não cobre uma fratura exposta nem cirurgia (não precisei e espero nunca precisar).

Então lá fui eu ao ponto de encontro. Super nervosa pois ia realizar um sonho! Sozinha, entrei no metro e a linha que dava na Torre de Montparnasse só tinha rolers, todos com seus patins, com suas roupas descoladas, fones de ouvido super modernos, sorrisos nos rostos. E eu. Provavelmente com a palavra ”TOURISTE” estampada na testa com letras em néon, minha mochilinha cheia dos meus pins de viagens (Touriste!!! Touriste!!!) e os patins de locação surrados e nada modernos, um pouco desconfortáveis. Mas meu sorriso e cara de pau andavam na minha frente. Tentei me enturmar com uma galerinha que se aquecia fazendo piruetes e saltinhos mas eles logo começaram a se fazer de parisienses e falar mal de gente nova, porque alí não é lugar de TOURISTE! Mas eu não estava nem aí, saí do local e fui procurar o grupo de nada mais nada menos de 10 MIL pessoas. Ao som de “Assim você me mata”, fazendo um registro em vídeo pra galera do Brasil ver que música brasileira faz sucesso fora, encontrei um Monsieur e seu filho de uns 13 anos, a Madame da família é portuguesa e logo eles compreenderam do que eu falava. Assim trocamos figurinhas e eles me contaram que era a primeira vez que o Stevan participava da randonée noturna, pois tem uma pra família no domingo de manhã (hoje parece que não tem mais, fuéeee), com um trajeto menor e menos perigoso, para que as crianças se acostumem desde já ao passeio.

São TRÊS HORAS de passeio, com uma pausa no meio do caminho para você repor as energias: levem muita água e bolachas! Você vai precisar. E é neste momento que você pode tomar a sábia decisão de abandonar o grupo e pegar o metro de volta para sua casinha de férias, pois o mais bonito e legal já passou, vai por mim!

A primeira parte do passeio foi sensacional: Louvre, place de la Madeleine, Tour Eiffel, Jardin des Tuileries, Place des Vosges, Champs Elysées, Opéra de Paris… Andar de patins pelos paralelepípedos sem cair e ainda filmando é inesquecível. E ainda com a ajuda do Monsieur pai do Stevan que contava onde era tudo e onde estávamos, mostrando que alí tinha uma padaria muito boa, mas acolá o entrecôte era barato e muito gostoso, parecia que eu tinha contratado um guia particular, o qual paguei com agradecimentos estendidos até os dias de hoje.

Se não fossem eles eu provavelmente teria um relato completamente diferente. Se não fossem eles me ajudarem a subir uma p**** duma rua, na qual eu tive a capacidade de ser ultrapassada por todos os 10 mil participantes E TAMBÉM pela ambulância de emergência… que aliás, fizeram mó carão quando pedi ajuda e ainda falaram que era minha obrigação de subir aquilo tudo. Foi o Monsieur pai do Stevan e o Stevan que me puxaram, deram força e mostraram que ainda há esperança na humanidade.

Só que a pessoa aqui, ao chegar no topo da subida, abaixou a cabeça e quis respirar, aproveitando a descida. Só não contava que TODOS estavam parados lá em baixo pois foi uma pausa da equipe, e eu com meus patins alugados, sem aquele freio de trás, comecei a gritar de desespero pedindo ajuda para frear, e quando fiz a técnica do arrastar a lateral do roller para frear, minha perna direita se fez de base do compasso e a esquerda se abriu em linha, dando rasteira em boa parte dos que alí estavam parados. Eu me levantei toda feliz gritando “UHUUU não machuquei ninguém e principalmente não me quebrei toda!!” Mas não tinha dado conta que quase derrubei uma senhora parisienne de carteirinha que começou os xingamentos de que alí não era para TOURISTES, mas como meus anjos estavam sempre alí por perto, e junto deles vieram mais outros, todos ajudaram a recompor os nervos e seguir com muita alegria e colaboração, pois agora um ia na frente pra me ajudar a frear e o outro puxava minha mochilinha, tudo para que eu não caísse e não fizesse ninguém cair.

A última hora foi do tipo: não desista Dani, você vai conseguir! Já nem olhava pros monumentos nem queria saber onde estava, só tinha uma meta: chegar na Tour de Montparnasse de volta! A randonée termina próximo da 1 hora da manhã, logo não tem mais metrô (raramente, algumas linhas circulam de noite, tem que conferir com antecedência). E como todo bom anjo, Monsieur pai do Stevan e Stevan me ofereceram carona (de uma quadra e meia) até o hotel que eu estava. Acabada, cansada, mas feliz. Mais um “check” na minha BucketList. E mais dois nomes para a minha lista de gratidão eterna.

Comments

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Daniela Santos

Daniela Santos

  1. Bruna Patrícia dos Santos disse:

    Kkkk que loucura. Fiquei imaginando a cena da queda. Ainda bem que encontrou seus anjos. Adorei a descrição. Deu muita vontade de fazer.

    1. Adoro quando vcs viajam comigo!! ❣❣

  2. Bethânia disse:

    Um programa para os fortes! Mas a vista deve ser mesmo inesquecível 😀

  3. Lorena Coral disse:

    Fiquei nervosa e cansada só de ler! Mas muito feliz com a tua experiência!

    1. Hahahah consigo visualizar um “oh my Gooood e agora??” ❣❣

  4. Nicole disse:

    Genial!!!!!!!

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Daniela Santos

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Minha vida já deu muitas voltas, já morei em 3 cidades brasileiras diferentes, já viajei para lugares que nem meus pais dormiram ao saber da aventura. E não quero parar! Compartilho agora com você minhas aventuras, visões e experiências para que esse mundo lindo, cheio de diversidade, que nos transforma em alunos da vida seja fascinante e inspirador para você também.

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