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Paris insólita : crônicas da cidade Luz

28 de setembro de 2016

Você já deve ter ouvido falar que Paris inspira e inspirou grandes artistas, que ela exala arte e encanta todos que a visitam.

Aí você vai dizer “peraê Dani! Nem todos, eu me decepcionei com Paris…”

E eu te entendo. A primeira vez que visitei Paris eu me decepcionei também. A imagem da cidade perfeita, limpa e cheia de clichês ficou pra trás. Eu arriscaria dizer que de 2008 pra frente muita coisa mudou e ela perdeu alguns dos seus principais encantos.

Mas permita-me te contar algumas histórias que vivenciei durante minhas viagens.

Em qualquer cidade, do Brasil ou fora dele, existem encantos escondidos. Observá-los é uma questão de treinar a mente e o olhar.

Uma vez, eu estava relaxando e aproveitando o wi-fi gratuito da praça atrás da Notre Dame, quando ouvi gritos de emoção vindos da família que passeava por ali.

Era um pedido de casamento! Eu sou manteiga derretida assumida e me emocionei muito quando vi o rapaz preparar a surpresa, junto com toda a família da noiva.

Eles estavam enrolando a noiva, tirando fotos só dela, enquanto o noivo foi buscar o buquê de flores. Quando ele retornou, a surpreendeu e todos deram gritinhos de muita alegria e quem estava por ali não teve como ficar de fora e participou da celebração. A imagem perfeita do jovem casal apaixonado realizando o sonho do pedido com a Notre Dame ao fundo foi lindo de viver!

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Eles pediram pra tirar foto deles com a família. Paris fazia parte da história dos pais dela e agora da família que eles irão construir.

Essa simbologia da cidade com o romance é muito forte, você agora deve estar lendo e pensando “nossa muito chique ser pedida em casamento em Paris, isso jamais aconteceria comigo”. Um pedido de casamento realmente pode não acontecer, mas o romance da cidade é devido outros motivos.

Eu sou uma que pensava sempre assim. Até tenho uma lista de lugares que não visitei de propósito, porque não quero ir sozinha pois para mim são românticas demais.

Mas quer saber? Eu devo quebrar esse tabu (assim como você os seus, se tiver).

E esse pedido de casamento me fez refletir sobre isso: Eu andando sozinha por Paris não posso ver o Amor? Não posso senti-lo? Por que só podemos viver isso acompanhados de alguém?

Foi tão forte a presença de casamentos nessa época do ano (ok ok, os ensaios fotográficos de noivas e seus Wangs e Laboutins já deixaram de ser uma visão romântica de tão frequentes rsrs) que até assisti uma cerimônia completa, de um outro casal americano, que levou a família e todos os amigos para a cerimônia na igreja da Madaleine. Uma pena que a noiva planejou o casamento tendo como resultado fotos lindíssimas do casal com as esculturas ao fundo, mas aí decidiram reformar TODA a igreja, deixando o altar cheio de andaimes, além de não ser proibida a entrada de turista, porque enfim, é um monumento da cidade e todos podem visitar enquanto ela estiver aberta….

Mas no final eu percebi que eles não se importaram com isso. A celebração foi linda, eles estavam super felizes e toda aquela emoção de “viva os noivos” e “pode beijar a noiva” é sentida não importa onde, mesmo se a cerimônia for feita em Klingon.

Então sim, o Amor está em todas as partes. Desde a flor que floresce no canteiro da rua à criança que sai correndo atrás do pombo, do casal de velhinhos que andam de mãos dadas, do turista que ajuda o exilado de guerra comprando um pão na padaria aos casais que estão vivendo a lua de mel perfeita (mesmo que seja pela 30° vez). O Amor está na paz que você sente ao comprar seu croissant e flâner pelas ruas sem rumo e sem direção. Está, acima de tudo, quando você sente aquele click de “nossa! Eu estou exatamente onde eu deveria estar”.

Permita-se sentir as diferenças, são elas que nos modificam, que abrem nosso olhar e nos fazem aceitar aquilo que a cidade (pessoas, animais, natureza, n’importe qui) tem para nos oferecer. Ela oferece aquilo que ela pode, de acordo com os acontecimentos do momento. Se ela passou por crise, por atentados, por violências que a fizeram mudar de comportamento eu sou a responsável pelo meu olhar. A lente e perspectivas da compreensão (e também do ser compreendido) parte primeiramente de mim mesma.

A máxima que atravessa milênios do “Amar ao próximo como a ti mesmo” deveria ser o lema dos grandes aventureiros. Você viaja através do seu crescimento, e assim todas essas belezas e oportunidades de grandes histórias que inspiram escritores, artistas, pintores aparecem na sua frente e assim você vira um, afim de propagar essa beleza para que tantos outros possam viajar física e mentalmente, voltando pra casa, finalmente, renovado.

Tem alguma história para nos contar? Deixe seu comentário ou nos envie um e-mail. Vou amar ler sua experiência.

Bisous

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Daniela Santos

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Minha vida já deu muitas voltas, já morei em 3 cidades brasileiras diferentes, já viajei para lugares que nem meus pais dormiram ao saber da aventura. E não quero parar! Compartilho agora com você minhas aventuras, visões e experiências para que esse mundo lindo, cheio de diversidade, que nos transforma em alunos da vida seja fascinante e inspirador para você também.

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