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Por que e como visitar o Palácio e Jardins de Versalhes.

30 de novembro de 2016

Ao planejar sua viagem a Paris, alguns roteiros fazem parte da lista dos “obrigatórios a fazer”. Claro que obrigatório está só no nome, você deve viajar à sua maneira e vontade, mas fica difícil evitar a visita ao Museu do Louvre, passear livremente pelo bairro de Montmartre, comer crepe, visitar o museu D’Orsay, entre outros.

E um desses “À Faire” que todos recomendam (inclusive eu!) é a visita à Versalhes.

Das dicas de como ir, horário, o quê visitar e quanto custa ir ao castelo você deve ter lido em outros lugares (e aqui também, só ir até o final do post ;D ). Então, venha viajar comigo pela beleza e importância do local, para que sua visita vá além de tirar fotos na sala espelhada e no quarto da Maria Antonieta.

Uma vez fui à uma exposição de um viajante que alegou o Palácio de Versalhes ser um antro de quinquilharias, cheio de mofo e que saiu de lá com uma alergia insuportável. Fico triste pela experiência que ele teve e não quero que você tenha a mesma. Então para começar, dê play no vídeo aqui em baixo e verá através de imagens que se isso são quinquilharias, queria eu tê-las guardadas no meu porão!!

 

Como vocês puderam ver, o castelo é praticamente uma mina de ouro. Quanto mais dourado melhor. A cor dourada e os símbolos escondidos na arquitetura do castelo remetem ao seu idealizador, o Rei Luis XIV, ou o Rei Sol, que por 72 anos conduziu a monarquia à centralização do poder na era do absolutismo europeu, esbanjando sua riqueza através dos detalhes embutidos no castelo. Na sua próxima visita ao castelo, repare nos pequenos sóis em ouro incrustados nas mobílias, homenageando o Rei.

Veja no vídeo, nos tempos 00:17, 00:41 e 00:46 esses pequenos detalhes escondidos

Sua primeira moradia foi o Louvre, mas era “pequeno demais” para suas festividades e também para que nobres e familiares o habitassem. Assim, ele decidiu construir Versalhes.

Amante das artes, Luis XIV gastava o dinheiro do Tesouro Francês apoiando artistas, criando grandes soirées dançantes (leia |soa.rê|, traduzindo: eventos que se passam de noite), e reformando cada vez mais seus palácios.  Para os grandes bailes e banquetes, uma sala especial precisava ser construída. Assim veio a ideia da sala dos espelhos (tempo 3:44 do vídeo). Para que isso fosse feito, vidros e espelhos deveriam ser produzidos na França e, portanto, nasceu a Saint-Gobain, empresa que ainda hoje é responsável por gerenciar inúmeras outras empresas de materiais de construção e tem filial aqui no Brasil.

Viu só? Mais um detalhe que você jamais iria imaginar, ainda mais se conhece alguém que trabalhe pro grupo Saint-Gobain ou tem vontade de trabalhar em uma das empresas da companhia. São mais de 350 anos de história!

Continuando: após a morte de Luis XIV e de sucessores devido as epidemias da época, seu bisneto tornou-se o rei Luis XV. Passando por uma época difícil, onde a pobreza aumentara consideravelmente devido os gastos do Rei Sol, o sucessor de Luis XV, o Rei Luis XVI e sua esposa Maria Antonieta chegam ao poder, em meio a uma crise na sociedade francesa, com desentendimentos entre os nobres e entre a população que passava fome enquanto a monarquia esbanjava nas festas em Versalhes.

E então começa a história mais conhecida por todos, que já virou livro e filme, sobre a vida de Maria Antonieta (Marie Antoinette, leia |Ma.ri – An.toa.né.t|)

A Madame Delphine (leia |ma.dâm – del.fi.ne|),  ao mudar-se da Áustria para a França, morou sempre em Versalhes. Casou-se muito jovem com o também jovem Rei Luis XVI. Era ignorada pela corte e pela população francesa por ser austríaca, país arqui-inimigo francês. Devido essa cultura de guerra entre as duas nações, dizem que o rei demorou anos para consumar o casamento por ter criado um bloqueio psicológico, repulsando o contato com a esposa. Outros diziam que o rei e a rainha não tinham jeito para “a coisa”.

A ausência do marido, as confusões e intrigas que os condes e outros mais da corte faziam para com Antonieta, conduziram a rainha à um comportamento de gastos e luxos exagerados. Veja que interessante, até a rainha, há mais de 200 anos atrás compensava suas emoções na compra de vestidos, sapatos, perucas caríssimas, festas, banquetes…

Após 8 anos do matrimônio, o casal real teve sua primeira herdeira. E aí começaram os gastos com a construção do Petit Trianon (tempo 4:46 do vídeo) onde a rainha decidiu viver, afastada da algazarra do palácio, afim de criar “em paz” seus filhos. Três anos após o nascimento da primogênita, nasceu o tão esperado herdeiro do trono, e novamente para agradar aos caprichos da delfina, um espaço que imitava as vilas e casas dos simples camponeses foi construído para fazê-la sentir-se mais próxima de seus súditos (tempo 5:20 do vídeo).

Os gastos da monarquia eram absurdos, ultrapassavam todos os limites. Tanto o povo quanto a corte criticavam a rainha por ser má influência ao rei (~como se só ela tivesse tanto acesso assim ao marido…~). Grandes escândalos foram arquitetados contra ela, até a compra de um colar de diamantes que valeria em torno de 500kg de ouro.

Após guerras perdidas, revoltas e crises econômicas, os reis foram levados a Paris, o castelo de Versalhes fechado e grande parte de suas obras e peças de valor foram saqueadas. E em 1973 1873 (~levei a frase ‘vida longa ao rei’ ao pé da letra né? rs~), condenados à morte por terem levado o país a uma grande falência, foram guilhotinados em praça pública, finalizando assim, a era da monarquia e iniciando a revolução que levou à criação da República Francesa.

Nada linda, a história. Não tem romance de príncipe e princesa. Andar pelos corredores do castelo, ver os quartos de Maria Antonieta (tempo 2:50 do vídeo), do Luís XVI com seu busto em mármore (tempo 2:22 do vídeo) e os jardins que foram construídos para agradar e distrair os que viviam na lama do poder e da avareza (tempo 4:13 do vídeo) é entender a história do homem. É entender como todo esse comportamento influenciou/influencia a humanidade. De fato, tudo me leva a compaixão e a reflexão de que passam séculos e, às vezes, os comportamentos se repetem.

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Então com isso te convido a visitar Versalhes com esse olhar para o passado que pode agregar e mudar o presente. Visitar “quinquilharias”, rever e conhecer a história de uma população, é abrir uma porta gigantesca para o autoconhecimento e para a compreensão ao próximo. Caminhe pelos corredores e imagine o tanto de gente que já passou por ali e que apesar de todos os gastos da época do Dauphin e da Dauphine, eles deixaram um legado ao país que hoje movimenta fundos suficientes para manter o local muito bem preservado e ainda gerar ganhos suficientes para influenciar o PIB da França. Nada é por acaso, não é pessoal?

Se você leu todo meu relato eu agradeço muito! Amo pesquisar sobre história e passar isso a vocês depois de ter pisado nos mesmos tacos de madeira que Antoinette, é muito gratificante. E agora vamos às informações turísticas para que você possa planejar sua viagem:

dicas-importantes-para-visitar-2

 

Veja no mapa abaixo o percurso sugerido para você visitar os jardins e saber onde estão o Trianon e o Domínio Marie-Antoinette. Reserve algumas horas para o palácio e muitas horas, pernas e fôlego para os jardins. É cansativo! Caso esteja um clima de chuva ou muito frio, faça a visita do essencial e deixe um gostinho de quero mais para a sua volta à França (sim, eu acredito que um dia você voltará à França, afinal, We will always have Paris <3).

As margens dos parques e jardins é tipo a frase do Rei Leão para o Simba: meu filho tudo que é indicado em verde pelo Google é seu reino. Risos (ou #sqn?). Você pode alugar bicicletas e percorrer uma parte do jardim de vélo (leia |vê.lô|, bicicleta em francês), ou pegar um trenzinho que te leva ao Trianon e só. Sinceramente o trenzinho não vale a pena.

Mas se você teve outra experiência em Versalhes e tem mais alguma dica sobre como se deslocar por lá, deixe seu comentário!! Adoro quando vocês compartilham suas histórias de viagens =D

Bisous

Dani

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Minha vida já deu muitas voltas, já morei em 3 cidades brasileiras diferentes, já viajei para lugares que nem meus pais dormiram ao saber da aventura. E não quero parar! Compartilho agora com você minhas aventuras, visões e experiências para que esse mundo lindo, cheio de diversidade, que nos transforma em alunos da vida seja fascinante e inspirador para você também.

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