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Jantar no Le Dôme de Paris

8 de julho de 2016

Você já viu por aqui que quando eu viajo, sou econômica. Reservo 50 Euros por dia, procuro os lugares mais baratos para comer, busco os dias de museu com entrada gratuita, entre outras medidas. Mas tudo isso é por um motivo. Não é simplesmente por pura mão de vaquisse, porque afinal se eu economizo e acabo gastando menos de 50 euros por dia o que eu faço com o que sobra?

Vou contar para você uma das melhores experiências que eu tive em Paris, depois de uma semana contando todos os euros e economizando tanto que nem me dei conta do quanto que tinha sobrado:

Estava sozinha na cidade, em pleno mês de agosto. Fim das grandes vacances, final das férias e verão. A cidade começa a voltar ao seu ritmo, o sol começa a se pôr por volta das 20h, ainda tem algumas festividades típicas de verão como a Paris Plage, as randonées nocturnes como o Paris Roler e os pratos de frutos do mar. Ahh quando você pesquisar sobre culinária francesa verá que a maioria dos pratos envolve frutos do mar. Da Bretanha à Côte D’Azur, os coquillages, oursins, mollusques, gastéropodes et crustacés são os reis dos pratos franceses.

Era meu último dia em Paris antes de ir pra fria Finlândia. Precisava de uma despedida do meu grande amor (Se me refiro à Paris no masculino é porque sim, pasmem, no francês, Paris é homem!!! Rsrs). Então fui ver quanto que me sobrou do dinheirinho que reservei e o que eu poderia fazer. Havia economizado 150 Euros!!! Dava pra fazer uma festa! Chouette!!

Estava num hotel na região de Montparnasse e por alí perguntei ao oráculo da pesquisa qual restaurante com boa reputação estava ao meu redor. Cheguei no Le Dôme um dos mais conhecidos restaurantes de frutos do mar e considerado uma instituição francesa da gastronomia. Fui com a cara, a coragem e meus 150 euros (rycaaah!). Ao entrar, eu, acompanhada por mim mesma, pedi uma mesa na parte de dentro, para poder apreciar toda a decoração e a beleza do lugar. Logo o serveur veio me perguntar se era somente eu, e para o espanto dele, eu respondi sim, sou só eu (e muito feliz por dentro diga-se de passagem). Fui servida por três serveurs diferentes, um deles um monsieur com cara de português me fez sentir em casa. Casado com portuguesa e filho de portugueses, mas criado na França, falava comigo em francês e português para ter certeza que entenderia o menu.

Foi-me sugerido como entrada um prato de mexilhões na manteiga com velouté de flor de laranjeira e leite de côco. Lembro dele até hoje: O perfume da minha flor preferida, com o frescor dos mexilhões que parecem ter recém-saído do mar para o meu prato, combinados ao vinho branco que o gentil monsieur me indicou, e a sensação de estar me presenteando com uma das melhores gastronomias do mundo. É inesquecível.

Na época essa entrada custou 22 Euros, e eu fiquei no nível de fome “ainda cabe uma sobremesa”. Tanto foi que o monsieur sugeriu que se eu quisesse só comer a entrada e uma sobremesa não tinha problema nenhum. Que eu ficasse à vontade para comer o que eu quisesse, sem precisar seguir a regra entrée – plat principal – dessert.

Mas eu queria essa experiência e pedi o prato principal: risoto de lagostin com ruibabo. Agora sim veio a fama da França: porção que cabia na palma da minha mão! Mas eu estava tão cheia da entrada, que comi tudo por que o prato custava 60 euros e eu JAMAIS deixaria nem um pedaço de folhinha verde no prato por esse preço. Como tomara vinho, a sensação de “comi mais do que devia” veio rápido (meia garrafa – 375ml – tá pessoal!! Hahah e eu voltei a pé para o hotel que estava à meia quadra!). Não foi dessa vez que comi uma sobremesa fina, chic e elegante.

Demorei 3 horas e meia para completar minha refeição. Absorvia cada minuto, cada risada das mesas ao lado, reparava nos pratos que chegavam, em como eles conseguiam comer todos os três pratos e ainda assim pedir um café para finalizar ou mais uma tábua de queijos, e mais vinho. Ninguém olhava pra mim com espanto de estar sozinha, se eu fizesse isso aqui no Brasil em um restaurante do gênero ia receber alguns olhares com questionamentos saindo como raios. As únicas pessoas que se preocuparam comigo foram aqueles que me serviam, pois queriam e entenderam que seria uma experiência única e muito agradável. O maître sommelier veio perguntar se estava do meu agrado o vinho e sua combinação com os pratos. Foi muito atencioso perguntando se eu adivinhava os ingredientes das receitas e depois explicando que o vinho que eu tomava ressaltava esses sabores. Me senti o ratinho do filme Ratatouille quando explica pro irmão o que ele sente ao combinar sabores.

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Saí de lá pronta para continuar viagem, amando Paris e a França mais que antes, sendo muito grata pelas pessoas que cruzaram meu caminho e pela possibilidade de apreciar uma gastronomia tão histórica e tradicional. Tenho na memória os rostos dos messieurs gentils e a linda sensação de estar plena comigo mesma, de ter conseguido planejar tudo e ao mesmo tempo aproveitar o inusitado.

Le Dôme de Paris
Site oficial: www.restaurant-ledome.com
Horário: de segunda a domingo das 12h às 15h e das 19h às 23h
Endereço: 108, Boulevard du Montparnasse 75014 – Paris

Comments

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Daniela Santos

Daniela Santos

  1. Bruna Patrícia dos Santos disse:

    Nossa que prazer ler seu blog. Eu não curto frutos do mar, mas gosto de peixe, vou querer muito ir lá quando voltar para essa lindeza.

    1. Que bom que gostou Bruna!! Minha maior felicidade é saber que vocês estão conseguindo visualizar o que vivi, merci bcp ❣❣

  2. Sil disse:

    Dani, que delícia esse post!! Eu preciso desse mexilhão!!

    1. Haha que bom que gostou Sil ❣❣

  3. Bethânia disse:

    Ai que vontade de experimentar!!!!!!

  4. Mayana disse:

    Leitura que me fez viajar, experimentar e até gostar dos mexilhões (que não sou muito fã, mas oras bolas…é em Paris!)

    1. Ebaaa que bom que viajou comigo nesses minutinhos de leitura! ❣❣

  5. Dina Fortes disse:

    Dani !Querida ,me delicie ,e viajei com seu saboroso relato.ja tive a maravilhosa experiencia de jantar nesse restaurante unico.Obrigada por compartilhar

    1. Dina amada!! Que delícia que você já foi lá!! Um dia voltamos juntas!! Beijos e abracos apertados.

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Daniela Santos

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Minha vida já deu muitas voltas, já morei em 3 cidades brasileiras diferentes, já viajei para lugares que nem meus pais dormiram ao saber da aventura. E não quero parar! Compartilho agora com você minhas aventuras, visões e experiências para que esse mundo lindo, cheio de diversidade, que nos transforma em alunos da vida seja fascinante e inspirador para você também.

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